Um gargalo global sob pressão climática
O Canal do Panamá, responsável por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico, continua sofrendo com restrições operacionais devido a uma estiagem histórica. Em agosto de 2025, a Autoridade do Canal anunciou que as limitações de calado e o número reduzido de reservas diárias permaneceriam em vigor, gerando impactos significativos sobre fluxos comerciais.

Contexto e causas
A região do istmo do Panamá vem registrando níveis de precipitação muito abaixo da média desde 2023. Especialistas apontam que o fenômeno El Niño, combinado a mudanças climáticas de longo prazo, reduziu drasticamente a capacidade dos lagos artificiais que abastecem o canal. Como resultado, a profundidade mínima permitida para embarcações foi reduzida, limitando a quantidade de carga transportada.
Essa situação não é inédita, mas a duração e intensidade da estiagem atual superam eventos anteriores. Armadores relatam que alguns navios têm sido obrigados a reduzir carga em até 20% para atender às restrições, o que encarece operações e diminui a eficiência logística.
Impactos para o comércio global
Cerca de 5% do comércio marítimo mundial passa pelo Canal do Panamá, incluindo rotas críticas entre a Ásia e a costa leste dos Estados Unidos. As restrições aumentaram filas de navios e redirecionamentos por rotas alternativas, como o Cabo Horn ou via Canal de Suez. Em ambos os casos, o tempo de trânsito pode aumentar de 7 a 12 dias, elevando custos de bunker e reduzindo a confiabilidade dos prazos.
Exportadores de produtos agrícolas da América do Sul também foram afetados, já que utilizam o canal para acessar mercados asiáticos. No setor de energia, embarques de gás natural liquefeito (GNL) sofreram atrasos e fretes mais altos, prejudicando países importadores.
Opinião de especialistas
Consultores de infraestrutura alertam que a crise hídrica no Panamá pode se tornar recorrente. “A falta de investimentos em sistemas de armazenamento adicionais e políticas de gestão da água torna o canal vulnerável a ciclos climáticos extremos”, afirmou um engenheiro especializado em obras hidráulicas. Outro analista destacou que “operadores globais precisam se preparar para um cenário em que o Panamá não garante mais a mesma confiabilidade histórica”.
Recomendações para empresas
Empresas de logística e embarcadores estão revisando suas estratégias. Algumas recomendações incluem:
- Ampliar estoques de segurança em regiões críticas;
- Diversificar rotas de transporte, mesmo que temporariamente mais caras;
- Investir em visibilidade digital ponta a ponta;
- Negociar cláusulas contratuais que prevejam contingências para atrasos.
Fonte: More Than Shipping